quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

SER OU NÃO PM ?


Nasci no ano de 1948 e no dia 27 de março de 1967 dei baixa do serviço militar obrigatório contava portanto com dezenove anos de idade e que, mesmo tendo vivido sob a responsabilidade de uma ditadura militar e um regime “democrático” sempre achei que isto era uma violação aos meus direitos constitucionais (ser obrigado a prestar serviço militar).

Dois anos depois, longe do serviço militar ao qual, ao dar baixa do serviço ativo do Exército Brasileiro, jurei às portas do Quartel nunca mais vestir uma farda em minha vida. A farda era “uma jaula onde só cabe um animal”, frase que havia visto em um muro e eu não queria mais entrar naquela jaula. Dois anos foi o tempo que levei para procurar um emprego e não conseguia. O Brasil atravessava uma fase difícil com greve, manifestações e falta de empregos. Um belo dia um colega meu esteve em minha casa e de posse de um jornal em baixo do braço que trazia estampada a notícia de que as inscrições para o concurso da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro estavam abertas. Ele estava com o firme propósito de se inscrever e convidava-me para o mesmo. Achei a proposta estapafúrdia pois, ainda estava gozando os benefícios da vida civil e havia jurado não mais ser militar. Repetir um erro era, no mínimo, uma asneira.

Na PM, inevitavelmente passaria por tudo de novo. Disse-lhe que não me interessava e, não querendo magoá-lo inventei uma desculpa de que estava sem dinheiro para pagar a inscrição. Ele disse que não havia problema e se dispôs a fazer o pagamento, depois eu o pagaria. E assim fizemos. E assim, depois de inscritos iniciamos uma série de exames, tais como: Prova de Português, Matemática, Exame Antropométrico (destina à aferição da altura, peso, do estado de saúde de um modo geral), Exame Físico e Exame Social e Documental (entrega de documentos e investigação da vida pregressa do candidato). Meu amigo que, a princípio mostrava-se radiante ante a possibilidade de ser um policial militar, viu-se logo reprovado nas provas de Português e Matemática. Sua expressão era de desânimo. Seu sonho de ser um policial militar havia ido por águas a baixo.

Tentando ser solidário para com ele e, confesso que aproveitando a oportunidade para livrar-me da viabilidade de ser PM disse-lhe que iria abandonar o processo seletivo, no entanto, fui impedido por ele de fazer isto. E, assim segui todo o processo seletivo. Já apto a ser policial incorporei-me à PMERJ no dia 27 de março de 1949.

Um PM no período da Ditadura


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O Golpe militar que ocorreu em 1964, no incio foi aclamado por grande parte da população. Setores da sociedade que não concordavam com o regime militar resolveram adotar a luta armada, para tentar derrubar o regime militar e instalar um governo pró-socialista no Brasil.

Grupos armados como Aliança Libertadora Nacional, Vanguarda Popular Revolucionaria, Partido Comunista do Brasil, entre outros, resolveram adotar táticas de guerrilha e terrorismo, cometer roubos, assassinatos, sequestros e atentados com bombas, para lutar contra o governo militar, que respondeu com os famosos Atos Institucionais. Estes Atos eram formas do governo fortalecer a ditadura e aumentar a repressão contra grupos armados. Para enfrentar a ditadura, eles escolheram o caminho das armas.

Como se vê, o que se buscava na subversão não era uma luta por um País melhor. Os terroristas não pensavam no futuro do Brasil pensavam sim nos seus e de suas famílias. Tentaram implantar no país uma ditadura comunista e não conseguiram, apenas saquearam, roubaram, sequestraram.

Quando se fala de ditadura militar, logo nos vem na cabeça mortes e torturas, porém essa historia e contada por uma parte da sociedade, e não por ambas as partes envolvidas. Não se pode negar que houve mortes e torturas (de ambas as partes) no regime militar, mas não foi apenas esses fatos que aconteceram no regime. Alguns estudos atuais mostram que havia preparação de um golpe pela esquerda ou pela direita, porem essa última foi mais rápida. Existe um preconceito natural com o regime militar, e nem se procuram ouvir as duas partes. Os militares não foram prejudiciais a sociedade brasileira, da forma com que se fala. O objetivo não é defender o regime ditatorial, e sim mostrar a Historia com imparcialidade, como todos os Historiadores e professores deveriam fazer, mas infelizmente nem todos querem ser imparciais, e defendem ideias pessoais em suas aulas, colunas, matérias e etc. Na economia os militares trouxeram conquistas inegáveis para o Brasil, entre em 1967 e 1973, a economia alcançou os mais altos índices de crescimentos econômico, PIB de 14% comparado, hoje somente com os da China. Houve aumento das exportações de 1,5 bilhões de dólares para 37 bilhões,modernização do parque industrial brasileiro e aumento da oferta de emprego, (13 milhões de empregos foram criados) o trabalhador teve direitos regulamentados como o 13° salário e a criação do FGTS, PIS, PASEP. A legislação trabalhista criada por Vargas só atendia ao trabalhador urbano, foi com o Regime Militar que a legislação trabalhista foi estendida ao campo, além de uma proposta de reforma agrária (Estatuto da Terra) que só não foi aprovada pela resistência histórica que a elite agrária, infiltrada no Congresso Nacional, sempre sabotou a proposta. No Regime Militar, a Petrobras, a maior empresa brasileira, ganhou investimentos pesados dos militares, a empresa que antes produzia 75 mil de barris de petróleo por dia, começou a produzir 750 mil barris por dia, 10 vezes mais, o governo militar queria que o Brasil fosse independente de petróleo, o programa Pró-álcool também foi feito para diminuir a deficiência energética do Brasil, diminuindo nossa dependência do Petróleo. Mesmo com o esgotamento do milagre econômico, o governo Geisel reatou relações diplomáticas com a China, país socialista que dava inicio ao processo de abertura econômica e era uma perspectiva de um novo mercado, hoje a China é o maior parceiro comercial do Brasil. No Plano social ocorreram grandes conquistas, como o país estava aumentando sua industrialização, a população urbana cresceu. O governo militar criou o Banco nacional da Habitação (BNH) com o objetivo de financiar casas populares para o povo, 4 milhões de moradias foram construídas e milhares de famílias foram beneficiadas com taxa de juros baixa e longo prazo para pagar.

Os militares também investiram na educação pois precisavam de mão de obra qualificada para o país que andava passos largos para industrialização, implantou no Brasil curso de mestrado e doutorado, criou o programa de merenda escolar e alimentação do trabalhador, foram criadas 16 Universidades; no período militar 10 milhões de estudantes estavam matriculados nas escolas públicas. Além disso, o governo fechou uma parceria com os Estados Unidos e criou o Mobral, um programa que tinha como objetivo diminuir o analfabetismo no país. Eram aulas destinadas a adultos que não tiveram a oportunidade de aprender a ler e escrever, equivalente ao atual EJA. Foi responsável também pela construção das maiores usinas do mundo: Tucuruí, Ilha Solteira, Jupiá e Itaipú; Implementação dos Pólos Petroquímicos em São Paulo (Cubatão) e na Bahia (Camaçari). Construção dos maiores estádios, ginásios, conjuntos aquáticos e complexos desportivos em diversas cidades e universidades do país,Implementação do Metrô em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife e Fortaleza Criação da INFRAERO, proporcionando a criação e modernização dos aeroportos brasileiros. O Regime Militar, teve seus pontos negativos, porem também teve muitos pontos positivos, a historia ira conta sempre sobre as torturas e perseguições (Que realmente houve) porém não ira falar dos pontos positivos que os militares alcançaram, a famosa frase sempre se repete em nossas vidas: A HISTORIA É CONTADA PELOS VENCEDORES.

Hoje nós pagamos pensão, indenização e promoção às famílias de criminosos vivos e mortos. Isto é um desatino. Tentaram implantar no país uma ditadura comunista. Essa brincadeira das indenizações já chega a quase R$ 4,5 bilhões, além dos R$ 28 milhões que as pensões custam todo mês. Tudo isso por conta do “idealismo” dos “valentes” e alguns babacas que inventaram que suas carreiras foram interrompidas pela ditadura. O máximo risco que correram foi o de morrerem de medo. Já foram concedidas 17 mil reparações, 13 mil foram rejeitadas, e ainda há outras 30 mil na fila. Como sabem, até Lula é “pensionista” da ditadura. Mundo afora, os “vencidos” se esforçam muito para contar a sua versão da história. No Brasil, eles nem fazem tanta questão de mostrarem seus “atos de heroísmo”. Preferem mesmo é assaltar os cofres públicos. Essa é a sua verdadeira vitória.

Com a militarização das Policias Militares, a PMERJ, bem como as demais passaram, a partir do Decreto da Ditadura em 1969, a serem consideradas força auxiliar e reserva do Exército. Com isto veio a era da “bomba e porrada”.

A PM passou a controlar distúrbios e conter a onda de terrorismo. Policiais eram mortos por objetos atirados de cima de prédios tais como: mesas, cadeiras, máquina de escrever, etc. Um PM morreu ao ser atingido por uma máquina de escrever, outros caíam de cavalos que eram derrubados por bolas de gude atiradas ao chão pelos manifestantes. Os produtos dos saques feitos pelos arruaceiros eram divididos entre os participantes das cédulas do terrorismo. Lamarca teve um sério entrevero com Marighela por causa dos fuzis que ele, Lamarca, havia furtado do Exército. Os comunistas costumam dizer que as democracias não são democráticas, pois para eles, a classe dominante é que exerce o poder.

Na opinião deles, o povo é manipulado pela mídia, que faz com que a classe trabalhadora seja influenciada na hora de votar. Os comunistas acreditam que, somente em um regime socialista é que haveria uma verdadeira democracia. E o Brasil, depois de toda esta bagunça, tornou-se um País “democrático”. Dizer que vivemos em uma democracia chega a ser uma piada. Em um País democrático o povo não pode ser obrigado a fazer alguma coisa senão em virtude da Lei, entretanto, somos obrigados a votar, alistar-se nas Forças Armadas. E aí os políticos criam Leis que nos obrigam a fazer que não queremos. E lá vamos nós cumprir o que determina a Lei.

No Brasil nunca se viu tanta corrupção como agora, em plena democracia que tanto desejou o brasileiro. Temos de tudo: empreiteiras, ministros, juízes, desembargadores, senadores, deputados, enfim, um conjunto de pessoas que se caracterizam pela péssima índole e mau caráter ou pela má conduta. O povo aguarda ansiosamente pela prisão destes safados que levaram o País a esta situação em que se encontra. O País está quebrado e o povo paga pelo o que fizeram estes corruptos. Não podemos e não devemos ficar impassivos diante desta situação. Se não der em nada vamos às ruas para exigir a punição destes biltres.


A CIDADE DOS MORTOS


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"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música."
Friedrich Nietzsche 

A Colônia Juliano Moreira é uma instituição criada em Jacarepaguá no Rio de Janeiro, Brasil e foi construída na primeira metade do século XX.


Tinha como finalidade abrigar aqueles que a sociedade classificava como anormais, cuja presença não se aceitava num país, e nem tampouco em um meio social, tais como doentes psiquiátricos, alcoólatras e desviantes das mais diversas espécies.

Atualmente a área da Colônia Juliano Moreira serve como residência de milhares de pessoas. A Colônia tem cerca de sete milhões de metros quadrados, o que equivale ao tamanho de Copacabana e possuía, na época, vários Pavilhões, tais como: pavilhão para os adolescente, senhoras e homens adultos, os quais não eram de minha responsabilidade o patrulhamento nestas áreas e sim, de seis policiais que trabalhavam na entrada de acesso à Colônia Juliano Moreira.

No Manicômio Judiciário fiquei bastante tempo trabalhando, pois, o posto era chamado de “efetivo”, isto é, quem trabalhava alí não poderia trabalhar em outro serviço. Foi neste lugar, em meados de 1974 que fui trabalhar. Já havia cinco anos que ingressara na Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. O serviço era de 24 horas de plantão no Manicômio Judiciário com folga de 48 horas, que era preenchido por um serviço extra no fim de semana embora não recebêssemos por tais horas a mais. Todavia, como disse anteriormente, se o policial manifestasse o desejo de sair teria que pagar uma “propina” ao Sargento escalante. Jamais trabalhei para dar dinheiro a um corrupto e assim, ali trabalhei por um longo tempo até encontrar alguém que me substituísse.

No Manicômio Judiciário havia 75 homens que transitavam durante todo o dia no pátio,para lá e para cá. Alguns totalmente despidos, com olhares vazios caminhavam para lugar nenhum. Só paravam na hora do almoço quando, via de regra, havia sempre brigas entre os doentes que queriam mais comida e quando não atendidos avançavam na bandeja dos outros provocando confusão. E lá ía eu tentar conter aqueles estróinas juntamente com dois enfermeiros e mais três seguranças que, depois de havermos atracados com o doente e dependendo do grau da sua rebeldia lhe era aplicada uma injeção apelidada de “tortinha” cujo efeito, logo após de aplicada, era virar sua cabeça num ângulo de 180 graus. Como uma coruja, com a cabeça virada para trás ele entrava em um estado de torpor por várias horas.


 LOBOTOMIA 

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No Manicômio Judiciário além desta injeção havia também a camisa de força e, corria boatos entre os internos que, obviamente muitos não acreditavam por se tratarem de loucos, do uso de lobotomia. A lobotomia envolve o corte de ligações no lobo pré-frontal do cérebro. Sempre foram controversas, porém amplamente executada durante mais de duas décadas como tratamento para a esquizofrenia, psicose-maníaco depressiva e transtorno bipolar. Os primeiros procedimentos da lobotomia consistiam em cortar um orifício na crânio e introduzir sob pressão etanol no cérebro para destruir as fibras que ligavam o lobo frontal a outras partes do cérebro. Mais tarde foi criado um instrumento cirúrgico chamado leucótomo, que contém um aro de arame e quando girado, criava uma lesão a outras partes do cérebro.

Do total dos internos que ocupavam o Manicômio Judiciário os mais calmos eram aproveitados nos trabalhos de faxina, na cozinha e distribuição de almoço aos demais detentos, havia também os encarregados de conduzirem às enfermarias os que se encontravam no pátio após as 17 horas, que era o horário de se recolherem. Meu serviço era voltado à segurança nos casos de agressão, roubos, furtos e outros, muito embora durante todo o tempo em que estive trabalhando no Manicômio a PM nunca me orientou quanto a isto. Deduzia tudo isto e, jogado no meio daqueles miseráveis eu tinha apenas o poder de polícia e uma metralhadora. O Manicômio possuía um alojamento com uma cama e uma geladeira onde eu passava a maior parte do dia trancado. Não me alimentava com a comida preparada pelos doentes e nem tampouco, bebia água. Deslocava-me por alguns momentos até à Portaria da Colônia Juliano Moreira, onde se encontravam mais seis policiais que eram encarregados da segurança de toda a área do nosocômio, toda a vez que necessitasse.

Um fato inusitado ocorreu certa vez. Havia comprado na banca de jornais um exemplar da revista Playboy onde estampava várias fotos de mulheres nuas. O pátio estava ocupado pelos detentos que tomavam o “banho de sol” e, sentado em uma cadeira eu folheava a revista quando de repente vi que, colado as grades os doentes espremiam-se tentando verem as fotos. Num ato impensado atirei a revista no pátio e o que ocorreu foi uma algazarra total. Cada doente queria a revista e estabeleceu-se o caos. A revista foi rasgada em vários pedaços, isto, sem antes ter havido uma porradaria total que, felizmente foi controlada pelos enfermeiros, internos imperturbados e logicamente, eu o grande causador desta merda toda. Houve alguns feridos nesta batalha em busca de uma foto das mulheres nuas.

Após termos conseguido colocar os presos nas enfermarias o silêncio tomou conta do Manicômio e o que se viu foi os presos colocando as fotos nas paredes, masturbando-se e tendo relações homossexuais com outros. Passei por um grande susto pois agi sem razão, fui insensato e temerário, fui louco. Segundo Freud, a loucura faz parte de cada um de nós e está de certa maneira ligada ao inconsciente. É algo intrínseco, faz inevitavelmente parte de cada um de nós. Aparentemente, todos temos uma pitada de loucura em nós.

De outra vez, o Manicômio recebeu um telefonema onde dava conta da presença de um doente mental no centro comercial da Taquara. Ele encontrava-se no interior de um bar todo destruído pela sua fúria. Quando chegamos com a viatura de transporte de loucos e de posse de uma rede vimos o doente encostado na parede e com uma garrafa na mão. Ele era maluco mas não era bobo. Sabia que encostado à parede ninguém poderia por as mãos nele nem tampouco jogar a rede para imobilizá-lo. Levamos muito tempo tentando persuadi-lo para que entrasse na viatura, porém ele se negava.

Ele me pediu um cigarro, então tive uma idéia: fui para a viatura, que possuía dois bancos de metal e abri as duas portas. Num dos bancos sentei-me e acendi um cigarro, colocando o maço e a caixa com fósforos no banco à minha frente. O doente saiu de onde se encontrava e veio sentar-se no banco que estava vago e, ato contínuo pulei para fora do carro e as portas foram fechadas rapidamente.

Cabeçadas foram ouvidas no interior do carro. Era o preso em fúria por ter sido enganado. Na chegada ao Manicômio Judiciário outra problema nos aguardava: como retirar o doente do carro? Diante de tanta violência demonstrada dentro do carro pelo doente a solução seria dois enfermeiros, um deles de posse de uma seringa contendo a temida injeção “tortinha”, abrir a porta de maneira rápida e o outro aplicar a injeção. Um minuto depois o louco estava totalmente incapaz de qualquer reação. Foi levado à solitária onde permaneceu dormindo durante quase um dia e, no dia seguinte, não mais se lembrava do que havia passado com ele.

Atrás dos portões do antigo manicômio judiciário Heitor Carrilho, aguardavam a chance de voltar ao convívio da sociedade. Todos já haviam ganhado liberdade judicial. Alguns há mais de 20 anos viviam naquele inferno esquecidos por seus familiares e outros não tinham qualquer parente vivo, outros ainda estavam ali negligenciados pela Justiça que os havia colocados naquele lugar destinado ao suplício dos condenados às penas eternas. Eram homens, a maioria com mais de 40 anos e com passados que revelavam a face mais dura na vida de um portador de sofrimento mental: O ABANDONO.

Haviam cometido homicídios considerados hediondos, todavia, Tratamento que lhes deveriam ser ministrados, no entanto, eram ignorados. E assim, jamais conheceriam a liberdade que muitos ansiavam. Morreriam no Manicômio Judiciário.


“Ao examinarmos os erros de um homem, conhecemos o seu caráter.”
 Confúcio

EXAME SOCIAL E DOCUMENTAL

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Quem de nós nunca ouviu esta frase na casa dos pais: “Diga-me com quem andas e te direi quem és!”.

Ela se tornou clássica a nossos pais quando eles queriam nos afastar da má influência das companhias. Eles tinham de fato toda a verdade. Sabiam muito bem as confusões que poderíamos aprontar se seguimos as orientações destes maus companheiros. Nossos pais queriam que evitássemos estes constrangimentos, para nós e em especial para eles. É uma expressão que indica poder-se saber as qualidades de uma pessoa pela companhia que ela mantém, Para ser um policial o candidato depois de passar por uma prova escrita terá pela frente outros exames de caráter eliminatório tais como: Exame Médico, Físico e Antropométrico, Psicológico e Exame Social e Documental. Neste exame o candidato deverá ser submetido a uma busca pregressa ou seja, antecedentes da vida de uma pessoa que normalmente são investigadas. Dos exame reprobatórios aos quais são submetidos os candidatos, o Exame Social e Documental é o que mais elimina as chances de ingresso na Polícia Militar pois, se aplicado como um filtro que capacita apenas os mais dignos, os mais competentes e os mais ilibados, com certeza, em um universo de pessoas com os mais diferenciados comportamentos, encontrar-se-á o policial militar ideal que, durante 30 anos de serviço que terá que prestar, raramente se envolverá em atos que firam a dignidade de um agente da Lei.

Uma vez, uma única vez, fui designado a realizar o Exame Social e Documental – antiga Pesquisa Social – de dez candidatos à ingresso na PMERJ no prazo ínfimo de dez dias. Este prazo tão pequeno para tão grande importância era estipulado pelo Governador do Estado do Rio de Janeiro. A PMERJ era a Polícia do Governador, portanto, era-se cumprir ou cumprir sua determinação, não havia contestação. O governo não pensava na segurança do Estado e nem tampouco no bem estar do cidadão, pensava sim, na sua reeleição. O que importava para ele era encher as ruas de policiais e com isto garantir novamente o cargo de Governador do Estado do Rio de Janeiro.
Fui enviado para as cidades do Norte Fluminense como: São Fidélis, Campos, Macaé, Porciúncula e Maricá de posse de quinze formulários de pesquisa que deveriam ser feitas num prazo de dez dias, no máximo, sob pena de ser punido caso não fossem prestadas as informações inerentes aos candidatos.

A pesquisa, segundo determinação do Coronel, deveria ser o mais sucinto possível, bastava apenas ouvir depoimentos de três moradores da rua sobre o comportamento daquele que almejava ser um policial militar. Achei um absurdo. Era óbvio que os vizinhos do candidato não iriam, de modo algum, se por acaso ele fosse um excluído da sociedade, um sujeito que vivia à margem da Lei, relatar algo que desabonasse sua conduta. Permaneci quase um mês nas cidades acima citadas e decidi fazer a coisa certa. Iria à fundo na Pesquisa que faria, ou seja, ouviria o relato de seu patrão e colegas de trabalho, caso trabalhasse; os familiares de sua namorada ou esposa; iria à Delegacia de Polícia para saber se havia algum ilícito que envolvesse seu nome; ouviria as empresas onde o candidato tivesse feito uma compra à crédito; e, por fim, seu comportamento entre os vizinhos. 

Retornei ao quartel apenas com a metade das pesquisas feitas e, conforme o esperado levei uma áspera advertência e ameaça de prisão por ter desobedecido as ordens do Coronel, no entanto, não fiquei preso, todavia, fui transferido para outro quartel, porém estava com a consciência tranquila. Havia feito um serviço certo e com a certeza de que não havia colocado na PMERJ vagabundos que iriam usar a farda para cometerem desatinos.

A verdade é que não importava a qualidade e sim a quantidade, pois esta iria render muitos votos ao Governador.

 O FIM DO POPULISMO PETISTA 

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Um retirante vindo do nordeste, pretensioso e dono de uma vaidade excessiva, acostumado a comer cactos e calangos é eleito Presidente por outros mortos de fome leva o país a esta penúria em que se encontra. Agora, sua casa caiu. Talvez por ser um idiota semi-analfabeto, pensou que ficaria impune às suas mazelas. Vai se ferrar juntamente com sua cúmplice que na ditadura não passava de uma terrorista vestida de pele de cordeiro e que também foi eleita pelos mesmos miseráveis que elegeram seu mentor.  Agora estes idiotas se levantam contra o STF e PF. Eles estão com medo de perderem a boquinha da Bolsa Família, Minha Casa minha Vida, além das cotas em concursos. Os dois são leitores de Maquiavel que dizia: “Ofereça aos miseráveis, pouco a pouco, o que eles quiserem, assim eles lhes serão eternamente gratos”. “ Quando fizer o bem, faça-o aos poucos. Quando for praticar o mal, é fazê-lo de uma vez só.”

 A rejeição sem precedentes à Lula sinaliza o fim do do populismo petista que, depois de ter atingido seu auge no segundo mandato, acabou quando os erros de sua sucessora colocaram o País em profunda crise política, econômica e moral. A decadência do prestígio popular de Lula, deve-se não apenas à percepção da responsabilidade que lhe cabe pelo desastre político e econômico, mas também pela falência moral. Foi ele, afinal, o responsável pela corrupção generalizada que desmoraliza o País e corrói a economia nacional – e da qual ele é beneficiário juntamente com sua mulher, a julgar pelas evidências relacionadas a mal explicadas transações. Até agora não se ouviram explicações convincentes para o desprendimento com que empreiteiras envolvidas até o pescoço na corrupção investiram somas consideráveis em imóveis que Lula garante que não lhe pertencem.

São naturais e inevitáveis, portanto, as especulações de que, em sua obstinada luta contra a pobreza, o capo di tutti capi do PT se tenha permitido o direito de colher os benefícios generosos, mas de maneira nenhuma desinteressados, colocados à sua disposição por bons amigos.  Que mal há nisso, como têm inocentemente argumentado os petistas? E, assim, comprova-se a convicção partidária de Lula de que o brasileiro é idiota e acredita em tudo que ele queira fazer crer. A conclusão óbvia é de que, se o povo está insatisfeito com Lula e o PT em particular, o brasileiro também não acredita nos políticos em geral. Hoje, a recuperação eleitoral de Lula é quase que impossível, haja vista que, nas últimas eleições o PT não teve o mesmo sucesso de antigamente. O PT está em extinção, aniquilado 


O CASO ANA HICKMAN

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Foi homicídio o caso Ana Hickmam, senão vejamos: Seu cunhado narrou à Polícia que deu uma gravata no Rodrigo tentando tirar-lhe a arma e dois tiros foram disparados matando-o.  O cunhado de Ana teria que ser o The Flash para, estando todos sentados e de costas para Rodrigo que estava do outro lado da cama, dar-lhe uma gravata e fazer dois disparos matando-o.  É mentira, pois mesmo sendo um paranóico, Rodrigo teria alguns segundos para pensar no que havia feito, quando acertou a cunhada de Ana e foi o que aconteceu. O cunhado de Ana o alcançou, tomou-lhe a arma e o matou. A dentada que deu no Rodrigo foi só para mascarar o homicídio. Legítima defesa nada, foi homicídio mesmo. O ferimento em sua mão foi ocasionado pelo cão da arma ou até mesmo pela alça de mira. O paranóico, via de regra, quando comete algum ato insano tem algum momento de lucidez, e este momento de lucidez de Rodrigo lhe foi fatal e deu azo ao cunhado de Ana para que o executasse.


FURTO NO REFEITÓRIO

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"Um pedaço de pão comido em paz é melhor do que um banquete comido com ansiedade."
 Esopo


O Oficial PM tem várias atribuições tais como:

Receber o serviço na Parada de hasteamento da Bandeira conferindo se a guarnição está completa, verificando se o uniformes estão em ordem, se o cabelo está cortado como determina o Regulamento, se a barba está feita, etc.

Fazer a conferência de presos Fazer ronda nos principais postos do quartel verificando se está tudo dentro da normalidade.

Acompanhar a refeição das praças verificando a disciplina e o cardápio do dia publicado no Boletim. 

Conferir todo e qualquer material que der entrada no quartel, tais como alimentos, material de escritório ou outro qualquer que deverão ser acompanhados de Notas Fiscais.

Assistir a chamada do pernoite ou Revista do Recolher verificando se a guarnição de serviço está completa.

Ao final do expediente, quando todos os militares do quartel vão para suas casas o Oficial de Dia ainda verifica as correspondências que chegam.

O Oficial de Dia representa ainda o Comandante da Unidade nos horários fora do expediente. É responsável ainda pelo policiamento que será empregado.

Ao final do serviço deverá lançar no Livro do Oficial de Dia toda e qualquer ocorrência havida durante todo o serviço.

Muito embora tivesse que tomar todas as providências acima, raramente eu dormia quando encontrava-me escalado como Oficial de Dia e, neste dia especificamente, estava com insônia, preocupado com a responsabilidade que advinha da responsabilidade do serviço. Passei a madrugada acordado, embora o Oficial de Dia pudesse, logo após a Revista do Recolher, dormir, deixando a responsabilidade do aquartelamento sob a obrigação do Sargento Adjunto ao Oficial de Dia. Às duas horas da madrugada estava no pátio do quartel quando observei que um funcionário terceirizado que trabalhava na cozinha empurrava um latão, usado para transporte de lixo e restos de comida do rancho que seriam despejados numa área destinada a isto. Fazia isto com muita preocupação em não ser observado, a toda hora olhava para trás e para os lados. Ele não havia visto-me, todavia, eu observava todos os seus movimentos. Fiquei escondido e aguardei que ele chegasse ao depósito de lixo e quando me aproximei ele veio logo puxando conversa sobre o tempo, sobre meu serviço que ele achava tedioso, enfim, tentava distrair minha atenção. Respondi às suas perguntas e por várias vezes perguntei-lhe o que trazia no galão de aproximadamente uns 200 litros, no entanto, ele continuava com seu comportamento ardiloso. A primeira vista o latão parecia mesmo conter lixo pois estava totalmente cheio, porém eu não sabia que o lixo que estava vendo era uma camuflagem. Dei um chute no latão e o vários alimentos espalharam-se pelo chão. Havia vários quilos de queijo, arroz, feijão, muitas caixas de leite, carne, azeite, mortadela, café, enfim, uma “compra” de meses. O funcionário tentou fugir ao flagrante, porém, não permiti. Ali mesmo dei início a um pequeno interrogatório. Perguntado para quem ele iria entregar os alimentos ele negou-se a dizer, todavia, disse que era tudo dele e que iria vender as mercadorias em um pequeno comércio de sua propriedade.

Não acreditei, pois era morava a muitos quilômetros de distância do quartel e era muita coisa para carregar. O crime foi cometido dentro de um quartel, logo, deveria ser instalado uma Sindicância para apurar os fatos, entretanto, tal não aconteceu.

Não fui chamado para ser ouvido e nem tampouco os demais envolvidos no caso. Também nunca soube o que houve com o empregado terceirado. As mercadorias furtadas foram devolvidas à dispensa do Rancho, ou seja, “tudo dantes como no quartel de Abrantes”.

Teria sido um furto famélico ? O furto famélico só acontece quando alguém furta para saciar uma necessidade urgente e relevante. Se o motivo tivesse, por exemplo, a intenção de saciar a fome do acusado e seus familiares não seria considerado um ato criminoso e sim um estado de necessidade o que retiraria o caráter antijurídico de um fato considerado como crime, no entanto, os demais que porventura estivessem envolvidos no ato delituoso, após comprovação através de uma Sindicância, deveriam ser punidos, todavia ninguém foi punido.


EU QUERO É ... 


Em uma confluência de quatro ruas com trânsito de veículos intenso e com a temperatura marcando quase 40 graus em pleno verão carioca, o PM Abdias sofria com o calor que vinha do asfalto, com o sol sobre sua cabeça e a sede incessante. Suava às bicas e ainda tinha que aturar os maus motoristas que desrespeitavam as leis de trânsito. Com 25 anos de profissão, faltando apenas 5 para se aposentar Abdias sempre foi um bom policial, honesto, competente e acima de tudo, tinha um comportamento exemplar. Era um pouco introvertido, porém, um bom companheiro. Mais uma vez estava Abdias em seu conturbado serviço de trânsito quando uma kombi avançou o sinal e, com um silvo longo de seu apito ele determinou que o motorista parasse adiante. O veículo parou a uns 50 metros e Abdias encaminhou-se para tomar as providências necessárias tais como: identificação do motorista e verificação da documentação do auto. Viu-se diante de uma freira indumentada que, sem o menor discernimento foi logo dizendo: "Eu sei o que o senhor quer. É dinheiro né?

 Abdias que sempre foi um policial calmo e educado, neste dia em especial, com um terrível calor, sede e fome, perdeu totalmente a calma que lhe era peculiar e respondeu à religiosa que o que ele queria era cú (mostrando a mão com os dedos indicador e polegar unidos formando um círculo).

 A mulher que pertencia a uma ordem religiosa e que dedicava sua vida aos objetivos da comunidade ficou pasma diante da situação constrangedora.

Depois de uma acalorada discussão o PM aplicou-lhe uma multa por avanço de sinal e a dispensou, ocorreu porém que a freira visivelmente envergonhada dirigiu-se ao quartel para prestar queixa contra o policial. Queria falar com o comandante sobre o vexame que havia passado, porém na presença deste não conseguiu dizer o que a trazia ali. Apenas disse que o PM havia lhe pedido uma coisa. O comandante insistiu. Perguntou a freira se era dinheiro que o policial havia pedido. Ela disse que não. Depois de quase 1 hora de perguntas e sem respostas da freira, o comandante disse-lhe que era necessário saber os motivos para representação contra Abdias.

A freira resolveu falar o que o policial havia-lhe pedido, porém, na presença de uma policial feminina, pois tratava-se de um ato indecoroso. Já na presença de uma policial a freira, pediu um papel e caneta e, penosamente, escreveu: "Ele disse que queria o meu cú". A policial conteve-se para não rir e passou o papel para o comandante que, após ler o que estava escrito também se conteve para não rir da merda que o PM havia feito, sem antes dizer à freira que ela também não havia se comportado indignamente ao fazer aquela pergunta ao policial. Ele era uma autoridade de trânsito e ela, apesar de ser uma freira era, ao volante de um veículo, uma motorista, independente de sua classe, razão social, cor e até mesmo religião. O pobre do Abdias, sujeito calmo e educado, até então, foi punido com 15 dias de prisão e, dentro da cela, dizia insultos ou palavras ofensivas contra alguém em específico quando passava na porta do xadrez e gritava: "ABDIAS PAPA-FREIRA". Nos últimos 5 anos que faltavam para Abdias se aposentar esta passou a ser sua alcunha.


CORRUPÇÃO ENDÊMICA


Não se deixem enganar pelos cabelos brancos, pois os canalhas também envelhecem.   
Rui Barbosa



Quando Dom João desembarcou no Rio de Janeiro, fugindo de Napoleão Bonaparte,em 1808, recebeu “de presente” de um traficante de escravos a melhor casa da cidade, no mais belo terreno, a Quinta da Boa Vista, o que assegurou a Elias Antônio Lopes um status de “amigo do rei” e foi seu visto de entrada para os privilégios da Corte.

Nos anos seguintes, como consequência, ele ganhou muito dinheiro rapidamente, além de títulos de nobreza. Lopes não estava só: era comum que senhores de engenho, fazendeiros e traficantes de escravos estabelecessem um regime de “toma lá, dá cá” com o rei, que chegou ao país praticamente falido.

Os negócios públicos e privados já se confundiam no Brasil Colônia, mas essa ligação se estreitou com a vinda da Corte portuguesa, quando se instaurou o costume da “caixinha” — porcentagem de dinheiro desviada — e da troca de dinheiro por títulos de nobreza.


Quando D. João retornou à Portugal deixando aqui seu filho e levando toda a riqueza do Brasil, como ouro, madeiras, pedras preciosas tendo ainda esvaziado os cofres do Banco do Brasil que ele mesmo, D. João havia criado, ocasionando a quebra do Banco. Como se pode observar, a corrupção no Brasil vem dos primórdios do Brasil Colônia e se arrastou até os dias de hoje depois de dois séculos de devassidão.


Hoje a história se repete: O Brasil governado por políticos corruptos. Todos, ou quase todos, estão comprometidos com a safadeza. Temos Senadores, Deputados, Ministros, Juízes, Desembargadores, enfim, pessoas que se caracterizam pela péssima índole e mau caráter ou pela má conduta.

Tema frequente do noticiário, principalmente em tempos de Operação Lava-Jato, as práticas de corrupção são, segundo historiadores, herança de uma formação de país baseada em um Estado centralizado, burocratizado e clientelista.


Por ironia do destino fui fazer parte da Policia Militar do Estado do Rio de Janeiro, a mesma fundada por D João com o nome de Divisão Militar da Guarda Real de Polícia do Rio de Janeiro. E o que encontrei ?


Vou carregar na pele o estigma de ter sido policial militar.

Jamais vou esquecer os corruptos que naquela época eram meus superiores hierárquicos, que me davam ordens e que à época já davam mostras de canalhas corruptos, déspotas e mau caráter. “Não se deixem enganar pelos cabelos brancos, pois os canalhas também envelhecem,” assim dizia Rui Barbosa, prova disso é o Coronel que preso, aguarda julgamento pelo crime de pedofilia.

Foi encontrado no interior de seu carro com uma criança de apenas dois anos totalmente nua. Outro dilapidou o Fundo Hospitalar da Policia Militar (FUSPOM). Conheci a ambos. Torço muito para que canalhas se fodam ! Que paguem enfim por tudo que fizeram. Outros envolvidos surgirão para pagarem tudo o que fizeram no passado e continuam a fazê-lo no presente, mesmo estando já velhos e com cabelos brancos.